O barulho que vem do além
Há algo profundamente perturbador em objetos que se movem sozinhos. Não é o medo do escuro ou o susto de um barulho inesperado; é a violação de uma das leis mais básicas que regem nossa experiência cotidiana: a de que a matéria inanimada permanece, bem, inanimada. Quando uma cadeira desliza pelo chão sem que ninguém a toque, ou quando uma xícara se estilhaça contra a parede aparentemente por conta própria, o mundo, por um instante, deixa de fazer sentido.
O termo “poltergeist” tem origem na língua alemã do século XVIII, traduzido literalmente como “fantasma barulhento” (poltern = fazer barulho, Geist = espírito). Na tradição folclórica germânica, e posteriormente em diversas outras culturas, esses seres eram vistos como entidades travessas ou maliciosas, capazes de causar perturbações físicas. No entanto, muito antes de os alemães cunharem o termo, a humanidade já registrava ocorrências semelhantes. Relatos de objetos arremessados por forças invisíveis, batidas misteriosas em paredes e incêndios espontâneos podem ser encontrados em crônicas da Roma Antiga, em textos medievais e em contos populares de todo o mundo.
Durante séculos, a explicação mais comum para esses eventos era naturalmente a sobrenatural: eram obra de demônios, fantasmas ou bruxas. Na Inglaterra do século XVII, eventos como os da Casa Paroquial de Epworth (1716) eram atribuídos a “ataques de fadas” ou opressões demoníacas. Nos Estados Unidos, o caso da Bruxa de Bell (1817) moldou o folclore sulista, misturando medo, religião e a crença em entidades punitivas. Foi apenas no final do século XIX, impulsionado pelo boom do Espiritualismo e pelo surgimento da Society for Psychical Research (SPR) em Londres, que o fenômeno começou a ser categorizado de forma mais sistemática. O mistério deixou de ser apenas uma questão de fé ou superstição para se tornar um enigma que exigia observação, documentação e, eventualmente, uma ponte entre a psicologia e a física.

Os casos que definiram o fenômeno
Para compreender a dimensão do enigma, é preciso examinar seus casos mais emblemáticos. Cada um deles, a seu modo, contribuiu para moldar a imagem do poltergeist na imaginação popular e para desafiar os limites da explicação científica.
O Poltergeist de Rosenheim (1967)
Imagine a cena: é uma noite comum em uma pequena cidade. De repente, o telefone toca. Você atende, mas há apenas silêncio. Minutos depois, ele toca novamente. E mais uma vez. Em questão de horas, a linha está sobrecarregada. Gaveteiros pesados, que normalmente exigiriam três homens para serem movidos, deslizam pelo assoalho de madeira. Lâmpadas estouram sem motivo aparente.
Essa não é a sinopse de um filme de terror, mas o relato documentado do que aconteceu em Rosenheim, na Baviera, em 1967. O epicentro do caos era Annemarie Schaberl, uma secretária de 19 anos. O caso ganhou proporções tão absurdas que a companhia telefônica registrou mais de 600 chamadas para um número inexistente em poucos dias. Relógios públicos giravam fora de controle e postes de luz piscavam em sincronia com o estresse da jovem.

O parapsicólogo alemão Hans Bender, então diretor do Instituto de Fronteiras da Psicologia em Freiburg, foi chamado para investigar. Bender concentrou suas suspeitas em Annemarie, que segundo ele estaria frustrada com o emprego e angustiada por um noivado desfeito. A conclusão de Bender foi a de que a infelicidade emocional da secretária se “convertia em psicocinese”. Físicos convidados por Bender, Friedbert Karger e Gerhard Zicha, teriam relatado que “alguma forma desconhecida de energia está em ação”.
As evidências mais sólidas não são visuais, mas documentais: as faturas telefônicas astronômicas, os laudos dos eletricistas que atestaram que as lâmpadas não queimavam por falhas na rede, e os relatórios policiais atestam que algo ocorreu, mesmo que a causa seja debatida.
O Poltergeist de Enfield (1977)
Talvez o caso mais famoso do mundo, o poltergeist de Enfield, no norte de Londres, teve início em agosto de 1977, quando Peggy Hodgson, mãe solteira de quatro filhos, chamou a polícia para sua casa na 284 Green Street. Ela relatou ter visto móveis se movendo e ouvido batidas nas paredes. As irmãs Janet, de 11 anos, e Margaret, de 13, estavam no centro dos eventos.
O que se seguiu foi um turbilhão de atividade paranormal que duraria mais de um ano. Mais de 30 testemunhas oculares relataram fenômenos estranhos. A policial WPC Carolyn Heeps, que esteve na casa, registrou em um affidavit oficial que viu uma cadeira tremer, levantar-se do chão e deslizar cerca de um metro e vinte centímetros sem que ninguém estivesse perto. Janet foi vista levitando acima de sua cama e falando com uma voz rouca que se dizia ser de Bill Wilkins, um homem que havia morrido na casa.
O caso atraiu a atenção da mídia internacional. A BBC documentou o caso em uma reportagem em 1978. Maurice Grosse, um dos investigadores da Society for Psychical Research (SPR), ficou tão convencido da autenticidade do fenômeno que escreveu um livro sobre o caso, This House Is Haunted, junto com Guy Lyon Playfair.
No entanto, contradições são comuns. As filhas de Peggy, especialmente Janet, mais tarde admitiram ter “forjado” alguns dos eventos para “manter os investigadores interessados”. Outros membros da SPR e do CSICOP (Comitê para a Investigação Científica de Alegações do Paranormal) encontraram evidências de que as garotas podem ter forjado alguns incidentes. Isso levanta uma questão complexa: como separar a fraude consciente, a alucinação coletiva ou a distorção da memória de um evento genuinamente inexplicável?

A Bruxa de Bell (1817-1821)
Nos Estados Unidos, o caso mais antigo e lendário é o da “Bruxa de Bell” (Bell Witch), no Tennessee. Entre 1817 e 1821, a família do fazendeiro John Bell foi aterrorizada por uma entidade invisível que falava, movia objetos e, segundo relatos, envenenou o patriarca da família. A entidade, que ficou conhecida como “Kate”, era capaz de prever o futuro e estar em vários lugares ao mesmo tempo. O caso, amplamente documentado pelo editor de jornal Martin V. Ingram em 1894, é frequentemente citado como um dos mais bem documentados dos EUA, embora muitos céticos o considerem uma obra de ficção histórica.

O Poltergeist de Seaford (1958)
O caso de Seaford, em Long Island, Nova York, é notável por sua duração concentrada e pela quantidade de incidentes documentados. Entre 3 de fevereiro e 10 de março de 1958, a família Herrmann registrou 67 ocorrências anômalas distintas. Tudo começou com tampas de garrafas que explodiam e objetos que se moviam. Logo, a atividade se intensificou: móveis foram virados, estatuetas voaram e se estilhaçaram, e uma garrafa de água benta apareceu derramada. O pai, James Herrmann, era inicialmente cético e suspeitava de travessuras do filho. No entanto, sua convicção mudou quando, de pé na porta do banheiro enquanto o filho escovava os dentes, viu duas garrafas deslizarem simultaneamente sobre a pia em direções opostas. O fenômeno, que inspirou o filme Poltergeist (1982), foi investigado pelos parapsicólogos J.G. Pratt e W.G. Roll, que concluíram que a atividade se centrava no filho de 12 anos, James.

O “Fantasma que Arremessa Tijolos” de Pequim (1934)
Em setembro de 1934, a cidade de Pequim (então Peiping) foi palco de um fenômeno peculiar. Por dez noites consecutivas, uma “chuva” de tijolos, pedras e telhas caiu sobre uma pequena mercearia, aparentemente atirada por uma mão invisível. A polícia local mobilizou dez agentes para vigiar a área, revistando cada casa, árvore e arbusto, mas não conseguiu encontrar a fonte dos projéteis. O “barrage sobrenatural” (como foi descrito) cessou na noite do Festival da Lua, o que foi considerado significativo pela população local.

O Poltergeist de Thornton Road (1981)
Em 1981, na rua Thornton Road (Birmingham, Inglaterra), moradores de três casas vizinhas viveram um pesadelo quando suas residências começaram a ser alvo de bombardeios noturnos de pedras polidas. O mistério ficou conhecido como o “Poltergeist de Birmingham”.
Para se protegerem dos danos nas janelas e telhados, os moradores instalaram telas, barricadas e chegaram a usar capacetes. A polícia local realizou uma investigação massiva, com cerca de 1.000 horas de trabalho, agentes camuflados e equipamentos de visão noturna e câmeras automáticas, mas nunca descobriu a origem dos ataques. Enquanto os moradores cogitavam um fenômeno sobrenatural, as autoridades acreditavam que o culpado usava uma catapulta a cerca de 180 metros de distância.
O caso, que causou graves traumas psicológicos e familiares aos residentes, virou notícia nacional e foi tema de um programa de TV de Arthur C. Clarke. Sem respostas, a investigação foi arquivada e o mistério continua sem solução.

Estávamos lidando com algo que desafiava todas as leis da física conhecidas. Não era um fantasma tradicional, mas uma força que parecia responder ao ambiente e às emoções.— Guy Lyon Playfair, investigador principal e coautor do livro This House is Haunted, sobre o caso Enfield (1980).❞
O que ficou registrado
A grande diferença entre o folclore antigo e os casos modernos é a burocracia do mistério. O poltergeist moderno deixa rastros objetivos. As evidências nesses casos são, na melhor das hipóteses, ambíguas, mas não podem ser completamente descartadas.
- Fotografias e Filmagens: Em Enfield, existem fotografias da suposta levitação de Janet Hodgson. As famosas imagens mostram a garota flutuando acima de sua cama. No entanto, a qualidade das imagens e a falta de um contexto claro sempre deixaram margem para dúvidas. Os críticos apontam que as fotos poderiam ter sido encenadas, com Janet pulando e segurando a cadeira no momento do clique.
- Áudios: As gravações de áudio de Enfield, com a voz rouca de “Bill Wilkins”, são algumas das evidências mais citadas. Maurice Grosse tocou a gravação para o filho do falecido, que confirmou que a voz parecia ser a de seu pai. No entanto, a possibilidade de a voz ter sido produzida pela própria Janet não foi descartada.

- Registros Policiais e Laudos: Em Thornton Road, a própria polícia admitiu que não conseguiu explicar a origem das pedras, apesar de uma investigação extensa. Em Seaford, Pratt e Roll documentaram meticulosamente 67 incidentes. Em Enfield, a polícia registrou em relatórios oficiais os fenômenos testemunhados.
- Medições Incomuns: Em Rosenheim, as medições de picos de energia elétrica pela companhia de energia são um dos pontos mais intrigantes. Os laudos dos eletricistas atestaram que as lâmpadas não queimavam por falhas na rede.
- Evidências Físicas e Corporais: Na família Smurl, na Pensilvânia, e no caso Ammons, em Indiana (2012), as testemunhas apresentaram marcas de arranhões, hematomas e queimaduras que surgiam sem causa médica aparente. Laudos médicos, por vezes, não encontravam explicação para as lesões. No caso Ammons, os relatos de possessão e violência física foram corroborados por oficiais de proteção à criança e policiais.
Em busca de uma explicação racional
A ciência, em sua maioria, rejeita a existência de poltergeists como fenômenos sobrenaturais. Em vez disso, propõe uma série de explicações alternativas.

Psicocinese Recorrente Espontânea (RSPK)
Esta é a hipótese favorita dos parapsicólogos. Ela sugere que a atividade poltergeist não é causada por espíritos, mas por uma forma inconsciente de psicocinese (a capacidade de mover objetos com a mente) emanada de uma pessoa viva, geralmente um adolescente sob intenso estresse emocional ou hormonal. A mente do agente focal afetaria a matéria à sua volta, liberando energia cinética.
O ponto forte dessa teoria é explicar por que os eventos cessam quando o agente focal é removido do ambiente. Nos casos de Rosenheim e Seaford, os investigadores apontaram para a secretária e o filho, respectivamente, como os agentes do fenômeno. A correlação entre puberdade, estresse emocional e o início dos fenômenos é forte demais para ser apenas coincidência. A limitação? A física clássica não possui um mecanismo conhecido para a mente mover matéria sem interação física direta. Como essa energia é transferida para a matéria sem violar as leis da termodinâmica? Essa é uma pergunta que permanece sem resposta.

Fatores ambientais: infrassom e estruturas
Do lado das ciências exatas, geólogos e físicos propõem explicações ambientais. O engenheiro Vic Tandy demonstrou que o infrassom (ondas sonoras abaixo de 19 Hz, inaudíveis para o ouvido humano) pode ser gerado por ventos passando por chaminés ou por estruturas antigas. O infrassom não apenas faz objetos vibrarem e parecerem flutuar ou deslizar, mas também ressoa com o globo ocular, causando alucinações visuais, e induz sentimentos de pavor e opressão no cérebro.
Alguns pesquisadores sugerem que fenômenos naturais, como correntes de ar, vibrações de caminhões pesados ou até mesmo a passagem de água subterrânea, podem causar movimentos em objetos e criar ruídos que são interpretados como sobrenaturais. Por que casas antigas, com correntes de ar ou falhas na fiação, parecem ser ímãs para esses eventos, mesmo quando a explicação do infrassom não se aplica totalmente?

Hoax, fraude e histeria coletiva
A explicação mais comum e, para muitos, a mais plausível é a fraude. Céticos como o mágico Milbourne Christopher e o investigador Joe Nickell argumentam que a maioria dos casos pode ser atribuída a travessuras, histeria em massa ou fabricação deliberada de evidências. A descoberta dos fios de náilon em Rosenheim reforça essa visão.
Psicólogos e sociólogos apontam para a histeria coletiva e o viés de confirmação. Em ambientes de alto estresse, a mente humana pode preencher lacunas de informação com ameaças. A psicóloga Ciaran O'Keeffe, que estudou o caso de Enfield, argumenta que a crença no paranormal pode distorcer a percepção. Uma pessoa que já espera ver algo estranho pode interpretar um evento perfeitamente normal (como um objeto caindo devido a uma vibração) como sobrenatural.
A voz do mistério
Apesar das explicações científicas, as teorias sobrenaturais permanecem vivas, oferecendo conforto ou significado para aqueles que vivenciam o fenômeno. Para aqueles que vivenciaram os fenômenos ou que se sentem atraídos pelo inexplicável, as explicações científicas muitas vezes parecem insuficientes.

Espíritos e fantasmas
Para muitas tradições espiritualistas, o poltergeist é a manifestação de um espírito desencarnado que não percebeu sua própria morte ou que está preso a um local. Em Enfield, a voz de Bill Wilkins e a história de sua morte deram força a essa teoria. Outras correntes esotéricas sugerem a ação de elementais ou entidades astrais que se alimentam de energia emocional (frequentemente chamada de loosh).

Demônios e entidades malignas
Em casos mais sombrios, como os da família Smurl (Pensilvânia, 1974-1989) e o caso Ammons (Indiana, 2011), a interpretação religiosa e demonológica assume o centro do palco. Sacerdotes e investigadores de campo argumentam que a violência física, a aversão a objetos sagrados e a inteligência maligna demonstrada pelos eventos apontam para uma opressão ou obsessão demoníaca. Os Smurl alegaram ataques físicos e sexuais por parte de uma entidade demoníaca, enquanto a família Ammons relatou levitação e possessão.

O inconsciente coletivo e o Loosh
Para além das visões religiosas tradicionais, o esoterismo moderno e a psicologia analítica profunda sugerem que o poltergeist pode não ser um espírito externo, mas uma egrégora alimentada por nós, uma exteriorização física de traumas e segredos familiares represados no Inconsciente Coletivo, que, ao atingir um ponto crítico, se manifestaria como uma psicose da matéria. Nesse contexto, entra o conceito de Loosh, cunhado por Robert Monroe, que designa uma energia vibracional gerada por seres vivos em estados extremos de dor, pânico ou êxtase. Segundo essa visão, ambientes com atividade poltergeist funcionariam como verdadeiras usinas de processamento emocional, atraindo entidades astrais ou elementais que se alimentam do medo e do desespero das vítimas, especialmente adolescentes em conflito, criando um ciclo aterrorizante em que o caos físico serve para colher mais loosh, fortalecendo assim a própria manifestação do fenômeno.
É fundamental respeitar essas perspectivas. Para as vítimas, o trauma é real, independentemente da origem do fenômeno. No entanto, do ponto de vista estritamente empírico, não há evidências mensuráveis que confirmem a existência de entidades espirituais ou demoníacas operando nesses eventos. A ciência exige replicabilidade, e o sobrenatural, por definição, escapa a ela.
O caminho do poltergeist é pavimentado com armadilhas para os incautos e percorrê-lo exige coragem e cabeça fria.— Hans Bender, parapsicólogo alemão.❞
Muito barulho e poucas respostas
Apesar de décadas de investigação, o fenômeno poltergeist mantém lacunas que impedem um veredito final. As perguntas que ainda ecoam nos corredores da parapsicologia incluem:
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Como explicar os fenômenos elétricos em Rosenheim? Os picos de energia e as chamadas telefônicas misteriosas foram documentados pela companhia elétrica. Se era uma fraude, como ela foi executada em escala tão ampla?
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O que realmente aconteceu em Enfield? As fotos e gravações de áudio são genuínas? Até que ponto as meninas podem ter forjado os eventos, e como explicar os depoimentos de policiais e jornalistas que testemunharam fenômenos inexplicáveis?
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Qual a origem das pedras em Thornton Road? Como alguém poderia atirar pedras por dias a fio, causando danos significativos, sem ser pego por uma operação policial com equipamentos de visão noturna e câmeras?
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Como a RSPK funcionaria fisicamente? Se a mente pode mover objetos, como essa energia é transferida para a matéria sem violar as leis da termodinâmica? Qual o mecanismo biológico exato por trás da correlação entre estresse emocional e fenômenos físicos?
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Por que o “agente focal” é quase sempre um adolescente? A correlação entre puberdade, estresse emocional e o início dos fenômenos é forte demais para ser apenas coincidência, mas o mecanismo biológico exato é desconhecido.
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Como explicar a “inteligência” do fenômeno? Em muitos casos, as batidas respondem a perguntas com o número exato de letras do alfabeto, ou objetos são arremessados com precisão cirúrgica para evitar pessoas. Como uma projeção inconsciente ou um fenômeno ambiental demonstraria tal cognição?
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Até que ponto a crença e a sugestão podem criar o fenômeno? Em casos como o de Ammons, onde a família já estava imersa em um contexto de forte crença religiosa, o fenômeno pode ser explicado inteiramente por histeria coletiva e sugestionabilidade?
O fenômeno
O fascínio pelo poltergeist persiste não porque queremos acreditar em fantasmas, mas porque o fenômeno desafia nossa compreensão mais básica de realidade. Ele sugere que a fronteira entre a mente e a matéria é muito mais permeável do que a ciência ortodoxa admite.
Os poltergeists nos fascinam porque representam a fronteira final do controle. Eles nos lembram que, por mais que a ciência avance, ainda há cantos escuros em nossa experiência onde a realidade parece escorregar entre os dedos. Esses casos não são apenas sobre objetos que se movem ou sons estranhos; são sobre famílias desesperadas, comunidades unidas pelo medo e investigadores confrontados com o limite de seus próprios paradigmas.
O mistério revela nossa profunda necessidade de encontrar significado no caos. Para as gerações do século XVII, o poltergeist era um teste de fé; para os vitorianos, uma prova da sobrevivência da alma; para a geração moderna, um quebra-cabeça quântico ou psicológico. O fenômeno atua como um espelho, refletindo as ansiedades, as crenças e os medos de cada época.
Cada geração reinterpreta o fenômeno através de suas próprias lentes. No século XIX, era obra de bruxas. No início do século XX, espíritos de falecidos. Hoje, falamos em psicocinese, histeria coletiva ou ondas eletromagnéticas. O mistério persiste não porque não haja respostas, mas porque as respostas que temos, fraude, ilusão, energia desconhecida, são, cada uma a seu modo, insatisfatórias.
Talvez a verdade sobre os poltergeists não esteja em escolher entre a ciência e o sobrenatural, mas em reconhecer que a realidade é vasta o suficiente para acomodar ambas as possibilidades, ou nenhuma delas. O que quer que tenha acontecido nas casas de Rosenheim, Enfield ou na rua Thornton, o impacto humano foi inegável.
A verdade, provavelmente, reside em algum lugar no meio. Alguns casos são claras fraudes. Outros podem ter explicações naturais que ainda não compreendemos totalmente. E talvez, apenas talvez, haja um punhado de casos que desafiem qualquer explicação convencional.
E você, leitor? Diante de relatos tão vívidos e, por vezes, corroborados por testemunhas insuspeitas, para onde pende sua balança? Ao ler sobre cadeiras que deslizam, telefones que tocam sozinhos e a mente humana capaz de alterar a física, onde você traça a linha entre o inexplicável e o impossível? O poltergeist é um fenômeno psicológico, uma fraude elaborada ou um vislumbre de uma realidade que ainda não sabemos medir? Deixe sua opinião nos comentários.
Arquivo de Evidências & Fontes:
Livros e Obras de Referência
- PLAYFAIR, Guy Lyon. This House is Haunted. Livro clássico sobre a investigação do Poltergeist de Enfield. Disponível em: Society for Psychical Research
- INGRAM, Martin. The Bell Witch: An American Apparition. Estudo histórico aprofundado sobre o caso da Bruxa de Bell. Disponível em: Wikipédia - Bell Witch
- THURSTON, Herbert; CREHAN, Joseph. Ghosts And Poltergeists. Livro de referência sobre assombrações e poltergeists. Disponível em: Internet Archive
Artigos Científicos e Acadêmicos
- BENDER, Hans. Parapsychological Investigations in Rosenheim. Artigo sobre as investigações parapsicológicas no caso Rosenheim, conduzidas pelo autor. Disponível em: DOI / Scielo
- TANDY, Vic; LAWRENCE, Thomas. The Ghost in the Machine. Abordagem sobre a relação entre fenômenos de poltergeist e campos eletromagnéticos. Disponível em: Parapsychology Press (PDF)
- BENDER, Hans. Modern Poltergeist Research—A Plea for an Unprejudiced Approach. Texto clássico defendendo uma abordagem aberta e sem preconceitos à pesquisa de poltergeists. Disponível em: Internet Archive (PDF)
- ALVARADO, Carlos S.; MACHADO, Fátima Regina; ZANGARI, Wellington; ZINGRONE, Nancy L. Influência histórica da mediunidade nas ideias psicológicas e psiquiátricas. Artigo sobre o impacto da mediunidade na história da psicologia e psiquiatria. Disponível em: DOI / Scielo
- BROVETTO, P.; MAXIA, V. Some conjectures about the mechanism of poltergeist phenomenon. Artigo especulativo sobre possíveis mecanismos físicos do fenômeno poltergeist. Disponível em: ArXiv / Internet Archive
- HUESMANN, Monika; SCHRIEVER, Friederike. Wanted: The Poltergeist. Análise de 54 casos de poltergeist (RSPK) registrados entre 1947 e 1986 no Instituto Freiburg. Disponível em: Forum Anomalistik (PDF)
- WILLIAMS, Bryan; VENTOLA, Annalisa. Poltergeist Phenomena: A Primer. Introdução abrangente à pesquisa parapsicológica sobre poltergeists com perspectivas atuais. Disponível em: Public Parapsychology (PDF)
- KRUTH, John G.; JOINES, William T. Taming the ghost within. Estudo de caso sobre abordagens para lidar com atividade poltergeist eletrônica aparente. Disponível em: Parapsychology Press (PDF)
- PUHLE, Annekatrin. Learning from historical cases. Análise de seis casos históricos de poltergeist na Alemanha do século XVIII. Disponível em: European Journal of Parapsychology (PDF)
- KOKUBO, Hideyuki; YAMAMOTO, Mikio; HIRUKAWA, Tatsu. Case Report on Anomalous Electro-Magnetic Signals. Relato de caso sobre sinais eletromagnéticos anômalos em um incidente poltergeist no Japão. Disponível em: Meiji University (PDF)
Teses e Dissertações
- MACHADO, Fátima Regina. Experiências Anômalas na Vida Cotidiana. Tese de doutorado focada na compreensão de experiências anômalas no dia a dia. Disponível em: Biblioteca Digital de Teses da USP (PDF)
Enciclopédias e Verbetes Especializados
- WIKIPÉDIA. Rosenheim poltergeist claim. Verbete detalhado sobre o poltergeist de Rosenheim. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Enfield poltergeist. Verbete sobre o famoso poltergeist de Enfield. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Bell Witch. Verbete sobre a lenda e o caso da Bruxa de Bell. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Old Rectory, Epworth. Verbete sobre a histórica casa paroquial de Epworth. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- PSI ENCYCLOPEDIA. Seaford Poltergeist. Verbete especializado sobre o Poltergeist de Seaford. Disponível em: PSI Encyclopedia
- WIKIPÉDIA. Canneto di Caronia fires. Verbete sobre os misteriosos incêndios de Canneto di Caronia. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Smurl haunting. Verbete sobre o assombramento da família Smurl. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Ammons haunting case. Verbete sobre o caso de assombramento da família Ammons. Disponível em: Wikipédia em Inglês
- WIKIPÉDIA. Thornton Road poltergeist claim. Verbete sobre o poltergeist da Thornton Road. Disponível em: Wikipédia em Inglês
Arquivos Históricos, Jornais e Relatórios Oficiais
- WESLEY, Samuel. Diários da Casa Paroquial de Epworth. Registros originais do século XVIII sobre fenômenos na residência paroquial. Disponível em: Wikipédia - Old Rectory
- INDIANA DEPARTMENT OF CHILD SERVICES; POLÍCIA DE GARY. Relatórios públicos sobre o caso Ammons. Documentação oficial da investigação do caso. Disponível em: Wikipédia - Ammons haunting
- CHINA MAIL. Edição de 22 de julho de 1958. Registro jornalístico histórico com menção a fenômenos anômalos. Disponível em: Internet Archive
Sites Institucionais e Acervos Especializados
- SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH (SPR). Arquivos e investigações sobre o caso Enfield. Site oficial da instituição com acervo sobre o famoso caso. Disponível em: SPR Official
- POLTERGEIST ARCHIVE. Beijing, China (1934). Arquivo digitalizado sobre o caso de Pequim. Disponível em: Poltergeist Archive
